RIO x SÃO PAULO.
Nem a transferência da capital para Brasília conseguira tirar do Rio seu papel de caixa de ressonância e capital cultural do Brasil. Muito, porém, fizeram os militares no pós-64 para dobrar a espinha do carioca, sempre contando com o apoio do clã dos marinho. Pouca gente sabe que a caça às bruxas atingiu primeiro e mais intensamente a UFRJ do que a USP.
A imprensa carioca sempre foi muito mais cosmopolita que a paulistana. O jornal mais importante do Rio era o Jornal do Brasil, era para ser lido no Brasil, enquanto os bandeirantes tinham um certo vezo provinciano, tanto o estado de são paulo quanto a folha. Foi também no Rio que surgiu o Pasquim, responsável por uma verdadeira revolução na mídia impressa entre nós. Enquanto isso a folha emprestava seus carros para a repressão política.
Pouca gente sabe, mas o Rio já teve mais salas de teatro que São Paulo. O que o Rio é hoje resulta da desatenção e esvaziamento sofridos pelos governos durante a ditadura, ainda assim continua sendo o 2º PIB do Brasil, muito mais fruto da garra de seu povo que nunca se dobrou, sempre sufragando a oposição
Ainda há juízes em Berlim.
Todo estudante de direito conhece o conto do moleiro de Sans-Souci. A notícia transcrita a seguir mostra que, contra os desvairios de um governador tresloucado, ainda há juízes na Louisiana.
Todo estudante de direito conhece o conto do moleiro de Sans-Souci. A notícia transcrita a seguir mostra que, contra os desvairios de um governador tresloucado, ainda há juízes na Louisiana.
É sempre surpreendente ser lembrado de que o Estado de Direito ainda existe em Louisiana, apesar do comando autoritário do governador Bobby Jindal.
Mas ele existe! Tribunais de Louisiana julgaram o financiamento do programa de voucher, usando o dinheiro dedicado às escolas públicas, inconstitucional. Os tribunais consideraram que a lei de Jindal retirando dos professores todos os direitos legais e proteções é inconstitucional porque incluía muitos assuntos em um projeto de lei.
E agora, milagre dos milagres, a Fourth Circuit Court of Appeal de Louisiana decidiu que os 7.000 professores que foram demitidos após a devastação do furacão Katrina foram injustamente demitidos e têm direito a salários atrasados.
Fica a indagação, será que aconteceria o mesmo no Brasil. Bem, conheço alguns juízes com forte senso de dignidade da toga que enfrentariam decisões contra um governador assim. Aqui na Bahia, por exemplo, existem vários deles. Mas e os desembargadores nos tribunais?
