PREDADORES
Existem pessoas na selva urbana brasileira que agem como verdadeiros predadores. Suas presas são sobretudo os mais vulneráveis, como crianças de adolescentes em situação de rua, idosos, travestis, prostitutas, deficientes etc.
Lembro-me do relato de um de um educador de rua, atuante em Copacabana, sobre as marcas de queimadura por água fervente atirada pelos moradores, a partir das janelas dos apartamentos, sobre crianças e adolescentes que dormiam nas calçadas em frente aos seus edifícios.
Idosos sem família são vítimas dos profissionais que deveriam ser seus cuidadores, mas que se aproveitam de sua fragilidade para roubá-los, não sendo raros, infelizmente, os casos de espancamentos e outras agressões.
ATRASO POLÍTICO
Faz muito tempo que, em artigo publicado na revista Civilização Brasileira, Celso Furtado diagnosticava um dos graves problemas de governabilidade no Brasil, nos anos 50-60, qual seja, o descompasso entre o Executivo e o Legislativo, este, dominado por forças conservadores, obstaculizava qualquer esforço modernizante proposto por aquele. Sobreveio o pronunciamiento de 1º de abril e, com ele, o obscurantismo autoritário perdurou por duas longas décadas. Com o retorno ao Estado de Direito, o velho empate entre a Presidência da República e o Congresso volta ao centro da política. Só que agora, outras estratégias passaram a ser empregadas para garantir a maioria do governo, e não estou falando do mensalão, e sim do loteamento dos cargos federais nos Estados, além das transferências voluntárias para Estados e Municípios, decorrentes de emendas apresentadas pelos parlamentares à lei orçamentária.



