segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sou moderado nas críticas sobre o governo que aí está. Acredito que com o outro, se eleito, as coisas seriam piores. Por outro lado, não acredito em impeachment, isso é conversa para senhores desocupados na classe média dos jardins de São Paulo. 
Não obstante lanço meu protesto contra os horrores resultantes da (não)política indigenista de Dilma. Não me interessa (nem aos índios) que o problema tenha surgido no governo do sarnei, collor, itamar, fhc. É imperioso que a Chefe de Estado adote medidas urgentes para solucionar a questão da falta de demarcação das terras dos índios.
Não dá mais para suportar a indiferença olímpica do ministro da Justiça que assiste como uma estátua a escalada de violência que vem acontecendo em Mato Grosso e no resto do país. Policiais militares compondo milícias que vão atacar aldeamentos. 
Se a polícia federal e essa tal de força nacional não dão conta das dificuldades, as forças armadas podem e devem ser acionadas. Quero ver se os truculentos fazendeiros/grileiros das picapes vão enfrentar o Exército ou os fuzileiros.

domingo, 6 de setembro de 2015

Trago a sugestão de leitura de meu artigo O Olhar Antropológico de Jorge Amado no Romance Tenda dos Milagres, publicado em Letras em Revista, periódico do curso de Mestrado Acadêmico em Letras da Universidade Estadual do Piauí. Link:

http://ojs.uespi.br/ojs/index.php/letrasrevista/article/view/110

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Candomblé em Brumado


    Feed de Notícias

    PauloCezar Martins compartilhou a foto de Mônica Pinchemel.
    34 min · 

    PROFESSOR PAULO CEZAR MARTINS FALA SOBRE CANDOMBLÉ NO PORTAL BRUMADO.
    A Bahia é o estado com maior ligação com as tradições africanas. Para ficarmos em dois símbolos de nossa cultura: o acarajé (comida ritual da orixá Iansã) e a capoeira surgiram da oferenda e da cadência rítmica dos instrumentos musicais do candomblé. Para aprender mais sobre a beleza da cultura negra trazida nos horrendos porões dos navios negreiros, entrevistamos Paulo Cezar Martins, Docente do curso de Direito e pesquisador vinculado ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Religião, Cultura e Sociedade - GEPERCS da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, que pesquisa religiões populares há mais de 30 anos, tornando-as objeto de dissertação de Mestrado em Ciência Política e, também, da tese de doutorado em Sociologia, na Universidade de Brasília - UnB.
    Paulo Cezar Martins: O culto aos orixás tem origem africana, foi trazido pelos negros escravizados para o Brasil. Inicialmente, era denominado calundu e macumba, porém, com a organização de suas atividades no final do século XIX assumiu as formas hoje existentes, organizado em nações, principalmente: Keto, Angola, Jeje, Ijexá, Efam, Nagô e de Caboclo.
    1. O que é o Candomblé para você?
    A resposta não é muito simples. E aqui vai uma declaração: o que vem a seguir resulta de minha ligação pessoal com a religião, mediada pelo estudo da literatura antropológica e pelo trabalho de campo, onde recolho lições de pessoas detentoras de enorme repertório de conhecimentos, mas nem sempre tive maturidade para compreendê-las adequadamente.
     Candomblé é o culto dos orixás, caracterizando-se, quase sempre, pelas presenças da prática divinatória e do intermediário entre os homens e os orixás. Para mim, tem a ver com a dimensão da espiritualidade na perspectiva da completude enquanto ser humano,  juntando-se aos planos individual e social.
    Os Orixás, entidades sobrenaturais, podem ser, ao mesmo tempo, forças da natureza emanadas de Olorum e, por vezes, ancestrais divinizados, e o eu mais profundo, revelado em consulta oracular.
    O elemento dinâmico dessa religião é indubitavelmente o Axé, enquanto força que assegura todo o movimento, tornando possível o processo da existência. É uma força mágico-sagrada de todos os entes sagrados, de todos os seres vivos e de todas as coisas. Pode ser transmitido e armazenado temporariamente. (SANTOS,37-8)
    A prática divinatória é Ifá que, juntamente com Odudua e Obatalá, são orixás da criação. Enquanto oráculo é o meio por que fala Orunmilá. Existem três modalidades de jogos para acessar o oráculo: ikins, opelé e búzios. Pela configuração que podem assumir os 16 búzios lançados, é possível identificar o orixá que rege o consulente.
    Outra característica marcante desse culto é o transe ou êxtase, através do qual se manifesta o orixá. Diferentemente da umbanda, do kardecismo ou do pentecostalismo, não há incorporação no candomblé. O orixá não é um ente externo, como um espírito ou guia, que vem de fora para ocupar o corpo do praticante durante o transe, mas, ao contrário disso, trata-se de uma exteriorização de uma energia interior identificada no oráculo, sendo muito mais pertinente, portanto, falar de excorporação.
    Finalmente, o culto aos orixás tem origem africana, foi trazido pelos negros escravizados para o Brasil. Inicialmente, era denominado calundu e macumba, porém, com a organização de suas atividades no final do século XIX assumiu as formas hoje existentes, organizado em nações, principalmente: Keto, Angola, Jeje, Ijexá, Efam, Nagô e de Caboclo.
    Como foi realizada sua pesquisa aqui em Brumado?
    A pesquisa é sobre formas de resistência dos candomblés à intolerância religiosa em Brumado, tendo como horizonte teórico a categoria da imperatividade da norma jurídica. Nessa contextura, sustentamos a hipótese de que a aplicabilidade das normas é sempre seletiva, dependendo de acordos entre os agentes do law enforcement e os agentes religiosos.
    No trabalho empírico, entrevistamos lideranças candomblecistas que nos forneceram basicamente seu modo de conceber a intolerância e de como lidar com ela.
    Como o candomblé enxerga a morte e o que vem após ela?
    Precisamos pensar em dois níveis distintos e paralelos em pode se dar a existência: o físico e o espiritual, Ayê  é a Terra e Orun, o céu. Dentro da concepção de dupla existência do Orun-Ayê, tudo o que existe no Orun coexiste no Ayê; tudo que está no Orun possui sua representação material no Ayê. Através do Axé, propulsionado por Exu, é que se estabelece a relação entre o Ayê e o Orun.
    O Egun, parte do indivíduo que sobrevive à sua morte, cuja presença revela a força do culto dos antepassados que continuam a participar de nossa vida. Os iorubas, diz-nos Cossard (2011), acreditam que tais ancestrais, quando morrem, não vão para o Orun, mas ficam no Ayê para ajudar seus descendentes. Recebem culto à parte, em local distinto daquele em que os Orixás são  cultuados.Também simbolizam a continuidade da vida, expressando o mistério da transformação de um ser deste mundo em um ser do além.
    Os povos de terreiro vêm sofrendo muitos ataques na Bahia por parte de religiosos de outras denominações. Poderia falar a respeito.
    Sim, mas não tenho material estatístico a respeito. Sei de duas dissertações de mestrado de docentes da UNEB, a do prof. Edimar Ferreira, de Caetité, e a do prof. Paulo Cesar Brito, de Bom Jesus da Lapa.
    Em geral, a violência tem origem nas congregações neopentecostais, especialmente na IURD. O caso mais emblemático ceifou  Mãe Gilda (Gildásia dos Santos e Santos), do Terreiro Abassá de Ogum, em Salvador, que veio a óbito em razão das ofensas que sofreu nas mídias daquela igreja que foi condenada a pagar indenização à família da vítima. Mãe Jaciara, do mesmo terreiro, foi igualmente agredida, porém por dois camelôs evangélicos em plena Avenida Sete.
    Existe uma hierarquia no candomblé?
    O aprendizado se dá no interior de uma hierarquia inquestionável, sob a autoridade da Ialorixá ou o Babalorixá. Logo a seguir vêm a Iaquequerê, mãe pequena, e o babaquequerê, pai pequeno. Em geral, a nova adepta não iniciada passa pelo ritual de lavagem de contas para, então, começar como abiã; após sua iniciação, feitura ou raspagem, porém, torna-se iaô; seguem-se várias obrigações, de tal modo que, findo o período de sete anos, ela dá a respectiva obrigação, passando a ser ebômi. Poderá receber o decá que a habilita ao sacerdócio a abrir sua casa.
    Existem integrantes de uma casa que não passaram por essa trajetória, são os não rodantes: equédis e ogãs. O santo não “roda” em suas cabeças.
    Outras funções (ROCHA,1994):
    Assobá – ministro da casa de Omulu, só pode ser ocupado pelos homens de Xangô;
    Axogum – cargo masculino, escolhido entre os ogãs, designa a  pessoa que faz os sacrifícios animais. É chamado de mão de faca;
    Adagã ou Dagã – cargo feminino, encarregada de despachar o padê;
    Amorô – cargo feminino, ocupado por uma mulher de Iemanjá encarregada de dançar o padê;
    Alabê – cargo masculino, escolhido entre os ogãs, encarregado principal de tocar os atabaques e cantar para os orixás nas festas;
    Iyá Efun – cargo feminino; encarregada de pintar as yaôs durante a iniciação;
    Abassê – cargo feminino, ocupado por uma mulher de Oxum, encarregada do preparo dos alimentos rituais.
    Qual a essência da religião?
    Espiritual - nas cerimônias o Axé é fixado temporariamente e transmitido, o que tem importância transcendental, vez que se trata da componente mais dinâmica do culto. O egbé ou conjunto dos iniciados reforça e festeja sua ligação com os Orixás.
    Social  - o candomblé remete à memória da ancestralidade africana, resgatando o orgulho da afro-descendência que se reflete em autoestima e, por consequência, num novo patamar de inserção nas relações sociais no mundo profano.
    Quem quiser conhecer mais, onde pode procurar respostas aqui em Brumado?
    Keto: Pai Wellington, Mãe Raimunda, Pai Diônata
    Angola: Tata João, Tata André

    Referências
    COSSARD, Gisèle Omindarewá   Awô: o mistério dos orixás. 2.ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2011
    LOPES, Nei   Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004
    ROCHA, Agenor Miranda   Os Candomblés Antigos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Topbooks, 1994
    SANTOS, Juana Elbein dos   Os Nagô e A Morte. 4.ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1986


domingo, 12 de julho de 2015

DEUS E O DIABO NA TERRA DE SAM

Quem fez curso na área de Humanidades/Ciências Sociais Aplicadas, ali pela década de 1980, aprendeu, com Leo Huberman, a importância da Igreja Católica, enquanto detentora do monopólio de ideias associadas à produção e reprodução do feudalismo. O clero de então era estamento poderoso no sistema de estratificação social então vigente.
Na modernidade, tal monopólio foi abalado com a Reforma iniciada por Lutero, no início do século XVI, daí nascendo o protestantismo que se expandiu em diversos movimentos, sendo relevante dentre estes o calvinismo, foco do conhecido estudo de Max Weber, por inspirar em seus adeptos atitudes e comportamentos que guardam afinidades eletivas com o desenvolvimento do capitalismo moderno, capazes de diferenciá-lo de suas formas pretéritas, inovando especificamente no seguinte: hábitos austeros, vida metódica, temperança, trabalho duro, poupança etc., reunindo, em suma, os requisitos psicológicos, como ensinou Hans Gerth, do dirigente empresarial.
Nos dias correntes aqui no Brasil, o leque de ofertas de crenças diversificou-se muito, pois convivem lado a lado com a imensa quantidade de igrejas no cristianismo, sobretudo no interior do campo protestante, o kardecismo, as confissões importadas do oriente, budismo, igreja messiânica, sei”cho no iê, mahikari, além dos principais cultos de matriz afro-brasileira, especialmente o candomblé e a umbanda.
Diante dessa multiplicidade, pensando num papel da religião na socidade contemporânea, escolhi ater-me ao universo do cristianismo, onde, com base nas reflexões do filósofo espanhol Eugenio Trías pretendo destacar que, no contexto do quadro de disputa de hegemonia Leste-Oeste, os discursos religiosos, como, por exemplo, nas igrejas neopentecostais, filhas do bible belt norte-americano, conclamam seus fieis para uma jihad contra um inimigo satanizado. Com certeza, muitos ainda se lembrarão da expressão reaganiana império do mal para a então ativa União Soviética.
A ideia é simples e figura nos mais lidos manuais de psicologia da publicidade e propaganda, caso do livro de Roger Mucchielli, para quem Deus precisa do diabo para existir ou, trocando em miúdos, o maniqueísmo está presente em todo produto propagandístico, com a mensagem de que “Quem não está conosco, está contra nós”. Mais analítico, Sergei Tchakhotine divide a propaganda em racio-propaganda, como os partidos políticos ingleses, que atuam para convencer racionalmente, e senso-propaganda, apelando esta última para os sentidos que causam emoções, caso, inegavelmente, da estratégia utilizada pelas igrejas.

Para fechar nossa conversa, aqui nas terras tupiniquins essa história começou quando o tal maniqueísmo importado do mundo yankee passou a vir numa palavra de ordem, segundo a qual tudo o que não for neopentecostal será do diabo, registrada no livro Orixás, Caboclos e Guias: deuses ou demônios?, a primeira demonstração da intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

SENSAÇÃO DE VIOLÊNCIA E MÍDIA

Desconheço a produção acadêmica brasileira na área do jornalismo, mas li que na Califórnia houve pesquisas mostrando a relação entre noticiário policial sobre a alta frequência de delitos praticados por jovens e a sensação de insegurança da população. Pois bem, nas entrevistas, os sujeitos da pesquisa diziam temer a violência de adolescentes, nos meses em que os meios de comunicação de massa publicavam matérias sobre aumento da delinquência juvenil. Na mesma ocasião, dados das agências do law enforcement mostravam que essa modalidade infracional, na contramão do que propalavam as mídias, estava em claro descenso.
Não sei se a academia no Uruguai cuidou de investigar a influência midiática no aumento da sensação de insegurança dos cidadãos, porém lá foram regulamentados os horários de exibição de programas mundo cão, semelhantes aos paulistas Datena, Resende e companhia, que lá passaram a ser transmitidos somente depois das 22 horas. É certo que, na sequência dessa medida saneadora, o legislativo uruguaio rejeitou a redução da maioridade penal. Sem o respaldo da pesquisa científica, porém, ainda é prematuro afirmar que aquela decisão congressual, que contou com amplo apoio da população, reflete de alguma maneira a disciplina imposta ao jornalismo sangrento da televisão; não obstante, temos aí uma hipótese a ser explorada.

Parece claro que, no Brasil, a sensação de insegurança está muito mais afetada por outros fatores, destacando-se os 50 mil homicídios/ano que ceifam as vidas de jovens negros moradores em favelas e periferias, como resultado principalmente da política de segurança pública, e isso em dois aspectos. Em primeiro lugar, pela sua concepção errada, que teima em marchar inspirada por uma perspectiva de enfrentamento militar, em que, ao revés, deveria ser priorizada a proteção da população, e não apenas de seu segmento minoritário rico e do próprio Estado. Segundo, pela gestão ineficiente dos aparatos repressivos. Por exemplo, até hoje as autoridades não sabem lidar com o câncer da corrupção policial, quando intelectuais saídos de suas fileiras, como o delegado Orlando Zaconne e o coronel Jorge da Silva, vêm insistindo no caráter estrutural do fenômeno, ou seja, inadmissível reduzi-la àquela manifestação isolada de um mau agente da lei.

terça-feira, 23 de junho de 2015

BREVE EXPOSIÇÃO SOBRE A ÉTICA NA POLÍTICA

Há mais de 60 anos que, no Brasil, a responsabilidade pela pobreza do debate político cabe aos conservadores que, na condição de proprietários dos mass media, estão em condições de impor sua visão de mundo à opinião pública.  Dessa maneira, o que é apenas um dos possíveis ângulos, o que está afinado com os interesses dos donos do capital, dentro de um contexto maior formado por múltiplas correntes de pensamento, termina, assim, sendo guindado à posição de centralidade, deslocando para a moral pública as atenções gerais, daí tentando ungir com o status de teoria o discurso segundo o qual a corrupção dos políticos seria o grande problema nacional, na condição de maior obstáculo ao desenvolvimento.
Na Antiguidade, está em Aristóteles um dos pontos altos da reflexão sobre a moral na política, inteligentemente destilada em sua, agora sim, teria das formas de governo, variando estas das boas às degeneradas em função dos interesses de quem exerce o governo; boas serão aquelas em que se age na direção do bem comum; degeneradas, quando, ao revés, o interesse comum for subjugado pelo interesse dos próprios exercentes do mando político. Ao conceber sua tipologia o estagirita afetou-a também pelo número de governantes, de tal modo que o governo bom de um, a monarquia, pode transmutar-se na sua forma degenerada, a tirania; assim como o bom governo de poucos, a aristocracia, pode decair em oligarquia; por derradeiro, o governo bom de muitos democracia, mas que no original era politeia, pode degenerar em demagogia.
Ocupou-se Maquiavel, entre outros, na Modernidade de estabelecer a diferença entre a moral individual e a moral do político. Esta teria sua  raison d’être no amor à cidade, cuja defesa pode exigir até o sacrifício mais radical, o da própria vida. Assim, no domínio do público, esse compromisso pode levar a condutas descabidas no plano das relações da vida privada, necessárias, porém, na defesa de seu país, como, por exemplo, espionar a vida do outro, não existindo, por isso, Estado sem seus serviços de inteligência.
Um dos pais-fundadores da Sociologia, ÉMILE DURKHEIM, propunha que a ausência de disciplina econômica projetava reflexos além do seu mundo, acarretando diminuição da moralidade pública, ou anomia moral, fonte de todos os problemas da nação. Sua fonte inspiradora estava em Juvenal (55-127 dC), certamente influenciado por Aristóteles, para quem a degenerescência moral seria a raiz das vicissitudes de Roma.
Por sua vez, tanto para MAX WEBER, como para HANNAH ARENDT, a regulação ética da política constituiu tema relevante e, por isso mesmo, merecedor de suas preocupações. No entanto, divergiram no tratamento que deram a essa questão.
Para ambos, submeter-se cegamente aos imperativos do mundo é moralmente ruinoso. E aqui acabaria sua concordância, pois, para WEBER, nisso incorreriam o consumista, o especialista sem espírito e o fugitivo intelectual, todos eles imersos em servidão, destituídos de liberdade, de paixão, de responsabilidade; ao passo que, para ARENDT, aí estaria enquadrado todo aquele que se entrega excessivamente à ação, abrindo mão do pensamento, portanto sem clarividência, sem imaginação.

Como forma de enfrentar os perigos dessa situação, WEBER enfatizou a construção da personalidade autônoma, quando o indivíduo tem consciência de suas ações e assume sua responsabilidade por elas, precisamente o caso do político por vocação; ARENDT reivindicou a construção do diálogo interior, como forma de ter regras de consciência.

terça-feira, 2 de junho de 2015

TORMENTO DE UMA GREVE

Nestes 11 anos de magistério público superior, já passei por várias greves. Para determinados segmentos da opinião pública, os legítimos movimentos de pressão do trabalhador para fazer valer seus direitos são taxados de baderna ou busca de ociosidade. Nada mais enganoso.
Como é tensa a abertura de espaços para negociação com os governantes, assim como é penosa a expectativa das decisões, sempre retardadas e insatisfatórias. O que precisa ficar claro, por outro lado, é que os professores não são responsáveis pelo estado das finanças baianas; por essa mesma razão, é que não é justo que arquem sozinhos com o ônus da formação do superávit nas contas públicas. Há muita gordura para queimar no legislativo e no judiciário.
Por outro lado, nossas universidades vêm sendo sucateadas ao longo do tempo. Equipamentos que não funcionam mais, laboratórios inoperantes, instalações prediais deterioradas, e, principalmente, falta de recursos para permanência de nossos estudantes. Além disso, ainda custeamos dos nossos bolsos sacrificados boa parte dos gastos das pesquisas.
Queremos transparência e seriedade das autoridades do governo nas negociações.