Sou moderado nas críticas sobre o governo que aí está. Acredito que com o outro, se eleito, as coisas seriam piores. Por outro lado, não acredito em impeachment, isso é conversa para senhores desocupados na classe média dos jardins de São Paulo.
Não obstante lanço meu protesto contra os horrores resultantes da (não)política indigenista de Dilma. Não me interessa (nem aos índios) que o problema tenha surgido no governo do sarnei, collor, itamar, fhc. É imperioso que a Chefe de Estado adote medidas urgentes para solucionar a questão da falta de demarcação das terras dos índios.
Não dá mais para suportar a indiferença olímpica do ministro da Justiça que assiste como uma estátua a escalada de violência que vem acontecendo em Mato Grosso e no resto do país. Policiais militares compondo milícias que vão atacar aldeamentos.
Se a polícia federal e essa tal de força nacional não dão conta das dificuldades, as forças armadas podem e devem ser acionadas. Quero ver se os truculentos fazendeiros/grileiros das picapes vão enfrentar o Exército ou os fuzileiros.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
domingo, 6 de setembro de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Candomblé em Brumado
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PauloCezar Martins compartilhou a foto de Mônica Pinchemel.
34 min ·
PROFESSOR PAULO CEZAR MARTINS FALA SOBRE CANDOMBLÉ NO PORTAL BRUMADO.
A Bahia é o estado com maior ligação com as tradições africanas. Para ficarmos em dois símbolos de nossa cultura: o acarajé (comida ritual da orixá Iansã) e a capoeira surgiram da oferenda e da cadência rítmica dos instrumentos musicais do candomblé. Para aprender mais sobre a beleza da cultura negra trazida nos horrendos porões dos navios negreiros, entrevistamos Paulo Cezar Martins, Docente do curso de Direito e pesquisador vinculado ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Religião, Cultura e Sociedade - GEPERCS da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, que pesquisa religiões populares há mais de 30 anos, tornando-as objeto de dissertação de Mestrado em Ciência Política e, também, da tese de doutorado em Sociologia, na Universidade de Brasília - UnB.
Paulo Cezar Martins: O culto aos orixás tem origem africana, foi trazido pelos negros escravizados para o Brasil. Inicialmente, era denominado calundu e macumba, porém, com a organização de suas atividades no final do século XIX assumiu as formas hoje existentes, organizado em nações, principalmente: Keto, Angola, Jeje, Ijexá, Efam, Nagô e de Caboclo.
Paulo Cezar Martins: O culto aos orixás tem origem africana, foi trazido pelos negros escravizados para o Brasil. Inicialmente, era denominado calundu e macumba, porém, com a organização de suas atividades no final do século XIX assumiu as formas hoje existentes, organizado em nações, principalmente: Keto, Angola, Jeje, Ijexá, Efam, Nagô e de Caboclo.
1. O
que é o Candomblé para você?
A
resposta não é muito simples. E aqui vai uma declaração: o que vem a seguir
resulta de minha ligação pessoal com a religião, mediada pelo estudo da
literatura antropológica e pelo trabalho de campo, onde recolho lições de pessoas
detentoras de enorme repertório de conhecimentos, mas nem sempre tive
maturidade para compreendê-las adequadamente.
Candomblé é o culto dos orixás,
caracterizando-se, quase sempre, pelas presenças da prática divinatória e do
intermediário entre os homens e os orixás. Para mim, tem a ver com a dimensão
da espiritualidade na perspectiva da completude enquanto ser humano, juntando-se aos planos individual e social.
Os
Orixás, entidades sobrenaturais, podem ser, ao mesmo tempo, forças da natureza
emanadas de Olorum e, por vezes, ancestrais divinizados, e o eu mais profundo,
revelado em consulta oracular.
O
elemento dinâmico dessa religião é indubitavelmente o Axé, enquanto força que
assegura todo o movimento, tornando possível o processo da existência. É uma
força mágico-sagrada de todos os entes sagrados, de todos os seres vivos e de
todas as coisas. Pode ser transmitido e armazenado temporariamente.
(SANTOS,37-8)
A
prática divinatória é Ifá que, juntamente com Odudua e Obatalá, são orixás da
criação. Enquanto oráculo é o meio por que fala Orunmilá. Existem três modalidades
de jogos para acessar o oráculo: ikins, opelé e búzios. Pela configuração que
podem assumir os 16 búzios lançados, é possível identificar o orixá que rege o
consulente.
Outra
característica marcante desse culto é o transe ou êxtase, através do qual se
manifesta o orixá. Diferentemente da umbanda, do kardecismo ou do
pentecostalismo, não há incorporação no candomblé. O orixá não é um ente
externo, como um espírito ou guia, que vem de fora para ocupar o corpo do
praticante durante o transe, mas, ao contrário disso, trata-se de uma
exteriorização de uma energia interior identificada no oráculo, sendo muito
mais pertinente, portanto, falar de excorporação.
Finalmente,
o culto aos orixás tem origem africana, foi trazido pelos negros escravizados
para o Brasil. Inicialmente, era denominado calundu e macumba, porém, com a
organização de suas atividades no final do século XIX assumiu as formas hoje
existentes, organizado em nações, principalmente: Keto, Angola, Jeje, Ijexá,
Efam, Nagô e de Caboclo.
Como
foi realizada sua pesquisa aqui em Brumado?
A
pesquisa é sobre formas de resistência dos candomblés à intolerância religiosa
em Brumado, tendo como horizonte teórico a categoria da imperatividade da norma
jurídica. Nessa contextura, sustentamos a hipótese de que a aplicabilidade das
normas é sempre seletiva, dependendo de acordos entre os agentes do law
enforcement e os agentes religiosos.
No
trabalho empírico, entrevistamos lideranças candomblecistas que nos forneceram
basicamente seu modo de conceber a intolerância e de como lidar com ela.
Como o
candomblé enxerga a morte e o que vem após ela?
Precisamos
pensar em dois níveis distintos e paralelos em pode se dar a existência: o físico
e o espiritual, Ayê é a Terra e Orun, o
céu. Dentro da concepção de dupla existência do Orun-Ayê, tudo o que existe no
Orun coexiste no Ayê; tudo que está no Orun possui sua representação material
no Ayê. Através do Axé, propulsionado por Exu, é que se estabelece a relação
entre o Ayê e o Orun.
O Egun,
parte do indivíduo que sobrevive à sua morte, cuja presença revela a força do
culto dos antepassados que continuam a participar de nossa vida. Os iorubas,
diz-nos Cossard (2011), acreditam que tais ancestrais, quando morrem, não vão
para o Orun, mas ficam no Ayê para ajudar seus descendentes. Recebem culto à
parte, em local distinto daquele em que os Orixás são cultuados.Também simbolizam a continuidade da
vida, expressando o mistério da transformação de um ser deste mundo em um ser
do além.
Os
povos de terreiro vêm sofrendo muitos ataques na Bahia por parte de religiosos
de outras denominações. Poderia falar a respeito.
Sim,
mas não tenho material estatístico a respeito. Sei de duas dissertações de mestrado
de docentes da UNEB, a do prof. Edimar Ferreira, de Caetité, e a do prof. Paulo
Cesar Brito, de Bom Jesus da Lapa.
Em
geral, a violência tem origem nas congregações neopentecostais, especialmente
na IURD. O caso mais emblemático ceifou Mãe Gilda (Gildásia dos Santos e Santos), do
Terreiro Abassá de Ogum, em Salvador, que veio a óbito em razão das ofensas que
sofreu nas mídias daquela igreja que foi condenada a pagar indenização à
família da vítima. Mãe Jaciara, do mesmo terreiro, foi igualmente agredida, porém
por dois camelôs evangélicos em plena Avenida Sete.
Existe
uma hierarquia no candomblé?
O
aprendizado se dá no interior de uma hierarquia inquestionável, sob a
autoridade da Ialorixá ou o Babalorixá. Logo a seguir vêm a Iaquequerê, mãe pequena,
e o babaquequerê, pai pequeno. Em geral, a nova adepta não iniciada passa pelo
ritual de lavagem de contas para, então, começar como abiã; após sua iniciação,
feitura ou raspagem, porém, torna-se iaô; seguem-se várias obrigações, de tal
modo que, findo o período de sete anos, ela dá a respectiva obrigação, passando
a ser ebômi. Poderá receber o decá que a habilita ao sacerdócio a abrir sua
casa.
Existem
integrantes de uma casa que não passaram por essa trajetória, são os não
rodantes: equédis e ogãs. O santo não “roda” em suas cabeças.
Outras
funções (ROCHA,1994):
Assobá
– ministro da casa de Omulu, só pode ser ocupado pelos homens de Xangô;
Axogum
– cargo masculino, escolhido entre os ogãs, designa a pessoa que faz os sacrifícios animais. É
chamado de mão de faca;
Adagã
ou Dagã – cargo feminino, encarregada de despachar o padê;
Amorô
– cargo feminino, ocupado por uma mulher de Iemanjá encarregada de dançar o
padê;
Alabê
– cargo masculino, escolhido entre os ogãs, encarregado principal de tocar os
atabaques e cantar para os orixás nas festas;
Iyá
Efun – cargo feminino; encarregada de pintar as yaôs durante a iniciação;
Abassê
– cargo feminino, ocupado por uma mulher de Oxum, encarregada do preparo dos
alimentos rituais.
Qual a
essência da religião?
Espiritual
- nas cerimônias o Axé é fixado temporariamente e transmitido, o que tem
importância transcendental, vez que se trata da componente mais dinâmica do
culto. O egbé ou conjunto dos iniciados reforça e festeja sua ligação com os
Orixás.
Social - o candomblé remete à memória da ancestralidade
africana, resgatando o orgulho da afro-descendência que se reflete em
autoestima e, por consequência, num novo patamar de inserção nas relações
sociais no mundo profano.
Quem
quiser conhecer mais, onde pode procurar respostas aqui em Brumado?
Keto:
Pai Wellington, Mãe Raimunda, Pai Diônata
Angola:
Tata João, Tata André
Referências
COSSARD, Gisèle
Omindarewá Awô:
o mistério dos orixás. 2.ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2011
LOPES, Nei Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana.
São Paulo: Selo Negro, 2004
ROCHA, Agenor Miranda Os Candomblés Antigos do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro: Topbooks, 1994
SANTOS, Juana Elbein dos Os Nagô e A Morte. 4.ed. Petrópolis-RJ:
Vozes, 1986
domingo, 12 de julho de 2015
DEUS E O DIABO NA TERRA DE SAM
Quem
fez curso na área de Humanidades/Ciências Sociais Aplicadas, ali pela década de
1980, aprendeu, com Leo Huberman, a importância da Igreja Católica, enquanto
detentora do monopólio de ideias associadas à produção e reprodução do
feudalismo. O clero de então era estamento poderoso no sistema de estratificação
social então vigente.
Na
modernidade, tal monopólio foi abalado com a Reforma iniciada por Lutero, no início
do século XVI, daí nascendo o protestantismo que se expandiu em diversos
movimentos, sendo relevante dentre estes o calvinismo, foco do conhecido estudo
de Max Weber, por inspirar em seus adeptos atitudes e comportamentos que
guardam afinidades eletivas com o desenvolvimento do capitalismo moderno, capazes
de diferenciá-lo de suas formas pretéritas, inovando especificamente no
seguinte: hábitos austeros, vida metódica, temperança, trabalho duro, poupança etc.,
reunindo, em suma, os requisitos psicológicos, como ensinou Hans Gerth, do
dirigente empresarial.
Nos
dias correntes aqui no Brasil, o leque de ofertas de crenças diversificou-se
muito, pois convivem lado a lado com a imensa quantidade de igrejas no
cristianismo, sobretudo no interior do campo protestante, o kardecismo, as confissões
importadas do oriente, budismo, igreja messiânica, sei”cho no iê, mahikari, além
dos principais cultos de matriz afro-brasileira, especialmente o candomblé e a
umbanda.
Diante
dessa multiplicidade, pensando num papel da religião na socidade contemporânea,
escolhi ater-me ao universo do cristianismo, onde, com base nas reflexões do
filósofo espanhol Eugenio Trías pretendo destacar que, no contexto do quadro de
disputa de hegemonia Leste-Oeste, os discursos religiosos, como, por exemplo,
nas igrejas neopentecostais, filhas do bible
belt norte-americano, conclamam seus fieis para uma jihad contra um inimigo
satanizado. Com certeza, muitos ainda se lembrarão da expressão reaganiana império do mal para a então ativa União
Soviética.
A
ideia é simples e figura nos mais lidos manuais de psicologia da publicidade e
propaganda, caso do livro de Roger Mucchielli, para quem Deus precisa do diabo
para existir ou, trocando em miúdos, o maniqueísmo está presente em todo
produto propagandístico, com a mensagem de que “Quem não está conosco, está
contra nós”. Mais analítico, Sergei Tchakhotine divide a propaganda em racio-propaganda,
como os partidos políticos ingleses, que atuam para convencer racionalmente, e
senso-propaganda, apelando esta última para os sentidos que causam emoções,
caso, inegavelmente, da estratégia utilizada pelas igrejas.
Para
fechar nossa conversa, aqui nas terras tupiniquins essa história começou quando
o tal maniqueísmo importado do mundo yankee
passou a vir numa palavra de ordem, segundo a qual tudo o que não for
neopentecostal será do diabo, registrada no livro Orixás, Caboclos e Guias:
deuses ou demônios?, a primeira demonstração da intolerância religiosa contra
as religiões de matriz africana.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
SENSAÇÃO DE VIOLÊNCIA E MÍDIA
Desconheço
a produção acadêmica brasileira na área do jornalismo, mas li que na Califórnia
houve pesquisas mostrando a relação entre noticiário policial sobre a alta
frequência de delitos praticados por jovens e a sensação de insegurança da
população. Pois bem, nas entrevistas, os sujeitos da pesquisa diziam temer a
violência de adolescentes, nos meses em que os meios de comunicação de massa
publicavam matérias sobre aumento da delinquência juvenil. Na mesma ocasião,
dados das agências do law enforcement
mostravam que essa modalidade infracional, na contramão do que propalavam as
mídias, estava em claro descenso.
Não
sei se a academia no Uruguai cuidou de investigar a influência midiática no
aumento da sensação de insegurança dos cidadãos, porém lá foram regulamentados
os horários de exibição de programas mundo cão, semelhantes aos paulistas
Datena, Resende e companhia, que lá passaram a ser transmitidos somente depois
das 22 horas. É certo que, na sequência dessa medida saneadora, o legislativo
uruguaio rejeitou a redução da maioridade penal. Sem o respaldo da pesquisa
científica, porém, ainda é prematuro afirmar que aquela decisão congressual,
que contou com amplo apoio da população, reflete de alguma maneira a disciplina
imposta ao jornalismo sangrento da televisão; não obstante, temos aí uma
hipótese a ser explorada.
Parece
claro que, no Brasil, a sensação de insegurança está muito mais afetada por
outros fatores, destacando-se os 50 mil homicídios/ano que ceifam as vidas de jovens
negros moradores em favelas e periferias, como resultado principalmente da
política de segurança pública, e isso em dois aspectos. Em primeiro lugar, pela
sua concepção errada, que teima em marchar inspirada por uma perspectiva de
enfrentamento militar, em que, ao revés, deveria ser priorizada a proteção da
população, e não apenas de seu segmento minoritário rico e do próprio Estado.
Segundo, pela gestão ineficiente dos aparatos repressivos. Por exemplo, até
hoje as autoridades não sabem lidar com o câncer da corrupção policial, quando
intelectuais saídos de suas fileiras, como o delegado Orlando Zaconne e o
coronel Jorge da Silva, vêm insistindo no caráter estrutural do fenômeno, ou
seja, inadmissível reduzi-la àquela manifestação isolada de um mau agente da
lei.
terça-feira, 23 de junho de 2015
BREVE EXPOSIÇÃO SOBRE A ÉTICA NA POLÍTICA
Há
mais de 60 anos que, no Brasil, a responsabilidade pela pobreza do debate
político cabe aos conservadores que, na condição de proprietários dos mass media, estão em condições de impor
sua visão de mundo à opinião pública. Dessa
maneira, o que é apenas um dos possíveis ângulos, o que está afinado com os
interesses dos donos do capital, dentro de um contexto maior formado por
múltiplas correntes de pensamento, termina, assim, sendo guindado à posição de centralidade,
deslocando para a moral pública as atenções gerais, daí tentando ungir com o status de teoria o discurso segundo o
qual a corrupção dos políticos seria o grande problema nacional, na condição de
maior obstáculo ao desenvolvimento.
Na
Antiguidade, está em Aristóteles um dos pontos altos da reflexão sobre a moral
na política, inteligentemente destilada em sua, agora sim, teria das formas de
governo, variando estas das boas às degeneradas em função dos interesses de
quem exerce o governo; boas serão aquelas em que se age na direção do bem
comum; degeneradas, quando, ao revés, o interesse comum for subjugado pelo
interesse dos próprios exercentes do mando político. Ao conceber sua tipologia o
estagirita afetou-a também pelo número de governantes, de tal modo que o
governo bom de um, a monarquia, pode transmutar-se na sua forma degenerada, a
tirania; assim como o bom governo de poucos, a aristocracia, pode decair em oligarquia;
por derradeiro, o governo bom de muitos democracia, mas que no original era
politeia, pode degenerar em demagogia.
Ocupou-se
Maquiavel, entre outros, na Modernidade de estabelecer a diferença entre a
moral individual e a moral do político. Esta teria sua raison d’être
no amor à cidade, cuja defesa pode exigir até o sacrifício mais radical, o da
própria vida. Assim, no domínio do público, esse compromisso pode levar a
condutas descabidas no plano das relações da vida privada, necessárias, porém,
na defesa de seu país, como, por exemplo, espionar a vida do outro, não existindo,
por isso, Estado sem seus serviços de inteligência.
Um
dos pais-fundadores da Sociologia, ÉMILE DURKHEIM, propunha que a ausência de
disciplina econômica projetava reflexos além do seu mundo, acarretando diminuição
da moralidade pública, ou anomia moral, fonte de todos os problemas da nação.
Sua fonte inspiradora estava em Juvenal (55-127 dC), certamente influenciado
por Aristóteles, para quem a degenerescência moral seria a raiz das
vicissitudes de Roma.
Por
sua vez, tanto para MAX WEBER, como para HANNAH ARENDT, a regulação ética da
política constituiu tema relevante e, por isso mesmo, merecedor de suas
preocupações. No entanto, divergiram no tratamento que deram a essa questão.
Para
ambos, submeter-se cegamente aos imperativos do mundo é moralmente ruinoso. E
aqui acabaria sua concordância, pois, para WEBER, nisso incorreriam o
consumista, o especialista sem espírito e o fugitivo intelectual, todos eles
imersos em servidão, destituídos de liberdade, de paixão, de responsabilidade;
ao passo que, para ARENDT, aí estaria enquadrado todo aquele que se entrega
excessivamente à ação, abrindo mão do pensamento, portanto sem clarividência,
sem imaginação.
Como
forma de enfrentar os perigos dessa situação, WEBER enfatizou a construção da
personalidade autônoma, quando o indivíduo tem consciência de suas ações e
assume sua responsabilidade por elas, precisamente o caso do político por
vocação; ARENDT reivindicou a construção do diálogo interior, como forma de ter
regras de consciência.
terça-feira, 2 de junho de 2015
TORMENTO DE UMA GREVE
Nestes 11 anos de magistério público superior, já passei por várias greves. Para determinados segmentos da opinião pública, os legítimos movimentos de pressão do trabalhador para fazer valer seus direitos são taxados de baderna ou busca de ociosidade. Nada mais enganoso.
Como é tensa a abertura de espaços para negociação com os governantes, assim como é penosa a expectativa das decisões, sempre retardadas e insatisfatórias. O que precisa ficar claro, por outro lado, é que os professores não são responsáveis pelo estado das finanças baianas; por essa mesma razão, é que não é justo que arquem sozinhos com o ônus da formação do superávit nas contas públicas. Há muita gordura para queimar no legislativo e no judiciário.
Por outro lado, nossas universidades vêm sendo sucateadas ao longo do tempo. Equipamentos que não funcionam mais, laboratórios inoperantes, instalações prediais deterioradas, e, principalmente, falta de recursos para permanência de nossos estudantes. Além disso, ainda custeamos dos nossos bolsos sacrificados boa parte dos gastos das pesquisas.
Queremos transparência e seriedade das autoridades do governo nas negociações.
Como é tensa a abertura de espaços para negociação com os governantes, assim como é penosa a expectativa das decisões, sempre retardadas e insatisfatórias. O que precisa ficar claro, por outro lado, é que os professores não são responsáveis pelo estado das finanças baianas; por essa mesma razão, é que não é justo que arquem sozinhos com o ônus da formação do superávit nas contas públicas. Há muita gordura para queimar no legislativo e no judiciário.
Por outro lado, nossas universidades vêm sendo sucateadas ao longo do tempo. Equipamentos que não funcionam mais, laboratórios inoperantes, instalações prediais deterioradas, e, principalmente, falta de recursos para permanência de nossos estudantes. Além disso, ainda custeamos dos nossos bolsos sacrificados boa parte dos gastos das pesquisas.
Queremos transparência e seriedade das autoridades do governo nas negociações.
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